sábado, 7 de março de 2009

Nada mais

10:30 da manhã. Um telefone toca.
— Alô?
— Oi, sou eu. Onde você tá?
— Eu tô em casa mesmo.
— Ah, tá bom. Eu tô indo aí. Você tava dormindo? Eu te acordei?
— Não, não. Pode vir.
— Tá, tô indo.
— Tá, tchau.
— Tchau.
15 minutos depois, ele chega. Ela abre a porta, eles se cumprimentam com um oi tímido e entram.
Silêncio.
Ela senta e começa a comer a última caixa de seu cereal, oferece a ele, que recusa.
Silêncio.
Ele a observa comer. Os mesmo hábitos.
Finalmente, alguém fala:
— E a sua mãe? Tá bem? — pergunta ela.
— Ah, tá, sim. E a sua? — responde ele.
— Tá bem também.
Silêncio.
Ele então se levanta e vai buscar o cachorro.
Volta e se despede dela:
— Bom, eu tô levando ele comigo, como a gente havia combinado.
— Sim. As coisas dele estão aqui.
— Tá. A gente já vai, então.
— Tá, até mais.
Ela brinca um pouco com o animal e depois os acompanha até a porta. Eles se despendem novamente e ele vai embora.
Nenhum beijo.
Nenhum abraço.
Nem um aperto de mão.
Sorrisos rasos e tchau.
Nada mais.
Tchau.

4 comentários:

Mayra disse...

Ele ainda levou o cachorro? Eu não deixava.. kkkk

LaraSu disse...

O silêncio é constragimento. Pelo fim. Pelos anos passados juntos. Por tudo. Por não existir nada mais. O silêncio é confirmação. Do fim. Dos anos passados juntos. De tudo. De não existir nada mais.

Guarda compartilhada, Mah.
Uns dias com ele; outros com ela.
;)

LaraSu disse...

Nando Reis os canta bem:

"Quando aconteceu? Não sei. Quando foi que eu deixei de te amar? Quando a luz do poste não acendeu? Quando a sorte não mais soube ganhar? Não. Foi ontem que eu disse não. Mas quem vai dizer tchau? Onde aconteceu? Não sei. Onde foi que eu deixei de te amar? Dentro do quarto só estava eu dormindo antes de você chegar. Mas não. Foi ontem que eu disse não, mas quem vai dizer tchau? A gente não percebe o amor que se perde aos poucos sem virar carinho. Guardar lá dentro amor não impede que ele empedre mesmo crendo-se infinito. Tornar o amor real é expulsá-lo de você pra que ele possa ser de alguém. Somos se pudermos ser ainda. Fomos donos do que hoje não há mais. Houve o que houve e o que escondem em vão, os pensamentos que preferem calar. Se não irá nos ferir um não. Mas quem não quer dizer tchau?"

Eles disseram, ambos, tchau. Silenciosamente tchau.

Pedro Marcelo disse...

Cada vez mais orgulhoso de minha amiga!